domingo, junho 29, 2008

Ode ao Corpo de Bombeiros da Nunes Machado (revisto)

No exato momento em que posto esta 'homenagem', uma sirene rompe as aparências da madrugada e me justifica.

Ó estridente grito, fúnebre presságio,
claro como o que canta a fanfarra
na alegria rasa das gulas oficiosas,
por que te anuncias, tão límpido,
na confusa hora da madrugada?

Hora sem tempo, tempo de nada:
negado do nada como se algo fosse.

Impregna teu breve som cada
segundo dos segundos que carregam,
por trás da inocência encantada
dos inocentes versos da Poesia,
a temida Aurora, a atroz Vigília.

Dedos rosa de luz? De sangue!
O que há para salvar do inevitável?

Tua sirene é uma gota de óleo
a pestear o quase infinito tanque
do Sonho, com a manhã da qual és
rubro e grave núncio, e na qual
me precipito com vivos ouvidos.

Buscas ossos quebrados mais reais
que meus amores notívagos demais.

Por mim, deixa que morram os que
se dão da convulsão nas tardias
horas dos dias a um luxo vulgar;
que morram como querem a Morte,
na qual, dizem, o Fim não está.

Pois que continuem a seu modo!
O Fim está é na morte do meu Sono.

Nada tenho com dos impertinentes
acidentes a ver o ânimo esvaído:
meu coração pelo que não cria
não sente; nem meus olhos marejam
pela vida que lá fora não vê morrer.

Antes eles, que o meu - e teu! - Sono,
que doces mãos ao menos me oferece.

3 comentários:

Thiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago Ya'agob disse...

Eu procurei o que eu não havia perdido.
Achei. Mas não reconheci.

Adriana disse...

E a morte (do seu sono) auxilia a vida (de tantos).