segunda-feira, agosto 11, 2008

Safo e Catulo

Só porque estou tendo aula de literatura latina e gostei demais da paráfrase de Catulo à poetisa grega Safo. A tradução de Catulo é de João Ângelo Oliva Neto. A de Safo é de Elpino Duriense.

Ode 31 de Safo

Igual aos deuses me parece aquele
Que defronte de ti se assenta, e te ouve
De perto docemente conversando,
Docemente sorrindo

Inda no peito o coração me assombra,
Que depois que te eu vi, jamais me veio
Voz alguma à garganta, antes quebrada
A língua se entorpece,

Eis já de veia em veia sutil fogo
Lavrando vai: c'os olhos nada vejo;
E sinto contínuo em meus ouvidos
um túrbido zumbido.

Geladas bagas por meu corpo correm,
Um frígido tremor me toma toda;
O rosto amarelece, e quase morta
Nem respirar já posso.

Poema 51 de Catulo

Ele parece-me ser par de um deus,
ele, se é fás dizer, supera os deuses,
esse que todo atento o tempo todo
contempla e ouve-te

doce rir, o que pobre de mim todo
sentido rouba-me, pois uma vez
que te vi, Lésbia, nada em mim sobrou
de voz na boca

mas torpece-me a língua e leve os membros
uma chama percorre e de seu som
os ouvidos tintinam, gêmea noite
cega-me os olhos.

O ócio, Catulo, te faz tanto mal.
No ócio tu exultas, tu vibras demais.
O ócio já reis e já ricas cidades
antes perdeu.

Um comentário:

Daniel disse...

Mas é um maldito classicista!
ahauahau


Enfim, também gosto de literatura latina!

Ah, e amanhã já estaremos de professor novo, ok?